SPFW: roupas ou esculturas? Artemisi impressiona com desfile futurista
Com mais de 20 mil horas de trabalho manual, coleção de Mayari Jubini une impressão 3D, cristais e formas esculturais para explorar os encontros entre tecnologia e artesanato.
Tem roupa que faz a gente querer entender como foi feita. Na passarela da Artemisi, essa curiosidade acompanha o desfile inteiro. A marca comandada por Mayari Jubini apresentou a coleção “The Holy Matter” na 61ª edição do São Paulo Fashion Week, com criações que exploram os limites entre roupa, escultura e experimentação. Entre volumes marcantes, superfícies brilhantes e rostos cobertos, a proposta aproxima o trabalho artesanal de uma imagem de futuro.

Os números ajudam a dimensionar o que chegou à passarela: foram mais de 20 mil horas de trabalho manual, distribuídas em 27 looks, e cerca de 700 mil cristais e pedrarias. Algumas peças exigiram mais de 1.200 horas de execução, enquanto outras receberam mais de 100 mil cristais aplicados um a um. Por trás do impacto visual, existe uma construção que depende de tempo, pesquisa e precisão.
A transformação da matéria como ponto de partida
Misticismo, alquimia e engenharia manual conduzem a narrativa da coleção. A ideia de transformar uma matéria-prima em algo que surpreende o olhar aparece nos processos de modelagem, nas estruturas e nas diferentes texturas das peças. “A gente trabalha com a transformação da matéria”, explica Mayari, em entrevista.
A estilista descreve uma criação construída em etapas, nas quais um mesmo material passa por diferentes intervenções até alcançar o resultado desejado. Essa lógica dá origem a roupas que parecem esculturas vestíveis. O corpo se torna ponto de partida para volumes que ampliam a silhueta e convidam o público a observar a peça por diferentes ângulos
O futuro também é feito à mão
A impressão 3D, uma das tecnologias presentes na identidade da Artemisi, ganha espaço em vestidos completos e acessórios, como máscaras e leques. A técnica permite desenvolver estruturas e formas que ajudam a construir o universo visual da marca. Mas a impressão é apenas uma etapa. Depois dela, as peças passam por processos como lixamento, polimento e acabamento manual. Ou seja, aquela superfície que parece ter saído diretamente de um universo futurista também carrega muitas horas nas mãos de quem faz.
É nesse encontro que a coleção ganha força. Os saberes artesanais permanecem presentes na pesquisa tecnológica, mostrando como técnicas transmitidas e aperfeiçoadas ao longo do tempo podem participar da criação de novas possibilidades para o vestir.
Quem é Mayari Jubini?

Fundadora e diretora criativa da Artemisi, Mayari Jubini é uma estilista capixaba que lançou a marca no fim de 2019. Sua trajetória combina interesse pelas artes, pesquisa de materiais e experimentação tecnológica. Em 2023, estreou no São Paulo Fashion Week, levando à semana de moda sua interpretação de uma roupa escultural e futurista.
As criações também conquistaram espaço na música pop. Artistas como Katy Perry e Demi Lovato já vestiram peças da marca, ampliando a visibilidade internacional do trabalho da brasileira. E a lista de desejos continua crescendo: na entrevista, Mayari cita Lady Gaga entre as artistas que sonha vestir.




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